Perdi um amigo, um companheiro alguém que me habituei sempre a ver no decorrer da minha vida corriqueira. Para dizer a verdade ainda não assimilei muito bem o facto de não poder trocar dois dedos de conversa e um copo contigo. Desde muito novo me lembro de te ver a pisar o palco, do teu enorme talento para a representação e para a vida  que tão bem a representas-te. O que nós riamos com o teu nervosismo antes de entrar em cena e o teu pânico de não conseguir ver no escuro, da tua inevitável vontade de fazer xixi segundos antes de entrares em cena…das jantaradas na tua casa que sempre abriste para os amigos como se fosse a sua própria. Do poema de António Botto que inúmeras vezes dizias sempre com o teu ar de troça:

“Nunca te foram ao cu
Nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
Lavadinho, todo nu, confesso gosto!”

Resta-me agradecer o que me ensinaste com a tua passagem pela minha vida e pela nossa segunda e muitas vezes primeira casa a SOIR. Se aqui estivesses a ler isto, dizias para me deixar de paneleirises e para te ir buscar um whisky e desataríamos os dois a rir….
É assim que te recordamos de uma pessoa alegre consigo e com a vida pois ela encheu-te de sabedoria, felicidade e amigos. Ficam as recordações e sei que durante muitos anos vais ser recordado por todos nós através das inúmeras histórias e episódios interessantes e surreais que cada um passou contigo.
Perderemos o contacto físico mas nunca o espiritual pois estarás sempre connosco na nossa memoria colectiva e em nossos corações, pois como dizia Bertold Brecht:

” Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”

Tu eras imprescindível…..Até sempre Pedro!!!