Sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,

Sem que sejas, enfim, sem que viesses
brusca, incitante, conhecer a minha vida,
rajada de roseira, trigo do vento,

E desde então sou porque tu és,
e desde então és, sou e somos,
e por amor serei, serás, seremos.

Pablo Neruda